
“DEI Pós-Humana: diversidade, inclusão e poder na era dos agentes artificiais”
Este conteúdo é resultado da minha visão e necessidade de verificação das reais possibilidades de sua efetivação, o que me levou a pesquisar e chegar a estas inferências.
Essa é uma abordagem que se firma de forma mais consistente em áreas como Ética em Inteligência Artificial, Sociologia da Tecnologia e Estudos Pós-Humanistas.
Para nós que atuamos em Diversidade, Equidade, Inclusão & Pertencimento – DEIP, este tema é importante e urgente!
Inicialmente, alinharemos o entendimento sobre:
Diversidade Humana
Hoje, as agendas de DEIP são estruturadas em torno de experiências humanas, historicamente atravessadas por: Capacidades; Classe; Cultura; Etnias; Gênero; Geração; Identidade de Gênero; Neurodiversidade; Origem; Orientação Sexual; Raça; entre outras dimensões sociais.
Mas já iniciamos a abordagem de outra Diversidade: a Transhumana.
Diversidade Transhumana
Robôs e super-robôs, em uma reorganização social profundamente mediada por tecnologia, podem passar a integrar:

Ilustração gerada pela IA, a partir de nossa ideação
Novas hierarquias de poder, formas de cidadania funcional e participação econômica

Ilustração gerada pela IA, a partir de nossa ideação
Novos critérios de exclusão e pertencimento

Ilustração gerada pela IA, a partir de nossa ideação

Ilustração gerada pela IA, a partir de nossa ideação
Isso desloca a discussão da “diversidade humana” para algo maior:
Diversidade de Inteligências e Agentes Sociais
Alguns autores já discutem cenários que envolvem:
- Humanos biotecnologicamente ampliados;
- Inteligências artificiais autônomas;
- Androides sociais;
- Sistemas híbridos humano – máquina.
Eles passam a coexistir em estruturas organizacionais e sociais.
Nesse cenário, indagamos: quem terá legitimidade social?

A sociedade tenderá a atribuir mais valor ao:
- Humano “natural”?
- Humano aumentado?
- Sistema algorítmico?
- Robô mais eficiente?
Isso pode criar novas formas de desigualdade.
O que será inclusão?
Hoje inclusão significa remover barreiras para pessoas. No futuro, poderá significar:
- Direito à interação justa com sistemas automatizados;
- Acesso igualitário à ampliação tecnológica;
- Proteção contra exclusão algorítmica;
- Coexistência ética entre humanos e inteligências artificiais.
O trabalho continuará sendo humano?
Já sabemos que, em muitos setores, talvez não integralmente. Assim sendo, diversidade poderá deixar de ser apenas representatividade identitária e passar a envolver:
Dadosdemográficos
- Diversidade cognitiva;
- Diversidade decisória;
- Equilíbrio entre automação e humanidade;
- Preservação da subjetividade humana.
Poderá existir “preconceito biológico reverso”?
Há pesquisadores debatendo possibilidades futuras como:
- Discriminação contra humanos “não aumentados”;
- Valorização excessiva da eficiência algorítmica;
- Marginalização de pessoas incapazes de acompanhar aprimoramentos tecnológicos.
Ou seja: uma nova estratificação social baseada em capacidade tecnológica. Isso se conecta diretamente ao debate contemporâneo sobre:
- Governança de IA, ética algorítmica, concentração tecnológica e risco social corporativo.
A provocação mais profunda talvez seja esta:
Quando máquinas começarem a participar de decisões sociais complexas, o conceito de diversidade deixará de tratar apenas de “quem somos” e passará a tratar também de “quem ou o que participa legitimamente da vida social”.
Para DEIP e Governança Social, isso é extremamente relevante porque desloca o tema da representatividade para o tema do poder tecnológico.
Bibliografia:
- Fundamentos do Pós-Humanismo. Donna Haraway .Manifesto Ciborgue (A Cyborg Manifesto)
- Rosi Braidotti.The Posthuman.
- Ray Kurzweil. A Singularidade Está Próxima . Como Criar uma Mente.
- Nick Bostrom. Superintelligence.The Transhumanist.
- Bruno Latour. Jamais Fomos Modernos
- Shakir Mohamed. Artigo: Decolonial AI Inteligência Híbrida Humano-Máquina.
- Artigo:The Future of Human-AI Collaboration.
- Marcelo El Khouri Buzato. O pós-humano é agora.
- Eduardo Bittar. A Teoria do Direito, a Era Digital e o Pós-Humano.
Por Jorgete Lemos, CEO da Jorgete Lemos Pesquisas e Serviços – Consultoria Organizacional. É uma das Colunistas do RH Pra Você. O conteúdo desta coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.
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