A formação terminou. O compromisso com boas decisões continua
MBAIMA MONTAY PURI
Conselheira consultiva | advisor | CFO & pricing strategist | diretora de DEI | founder & CEO
Há 10 dias concluí minha segunda formação para atuação em conselhos, desta vez como Conselheira Consultiva, na Trevisan Escola de Negócios.
Mais do que uma certificação, ela confirmou uma forma de atuar que venho construindo ao longo de 31 anos de jornada profissional.
Eu iniciei minha primeira graduação, em Secretariado Executivo Bilíngue aos 25 anos de idade e ainda assim, acertar o caminho não foi uma escolha fácil.
Escolher uma profissão que nos acompanhará durante grande parte da vida exige um nível de autoconhecimento que, aos vinte e poucos anos, muitas vezes ainda estamos construindo.
Entretanto, uma frase da minha professora de técnicas secretariais, Ana Maria Martins, ficou na minha memória: “a profissional de secretariado também pode exercer um papel consultivo”.
Ao longo de 31 anos de jornada profissional, eu me coloquei neste lugar e creio que por isto, me destaquei nas organizações onde trabalhei e pude abrir estradas para os serviços que realizo há 8 anos por meio da minha empresa.
Assessorar uma liderança exige compreender profundamente o propósito da organização.
Objetivos, visão, valores e estratégia precisam caminhar na mesma direção. Caso contrário, qualquer orientação pode conduzir a empresa para fora do caminho.
Foi assim nas telecomunicações, na indústria, na educação, nos transportes e continua sendo na economia circular e na produção manufatureira e artesanal.
A palavra assessor tem origem no latim assidere: sentar-se ao lado.
Na Roma Antiga, assessores eram pessoas de extrema confiança que se sentavam ao lado de magistrados para ajudá-los a interpretar situações complexas e tomar decisões.
Na organização social do povo Puri — e acredito que também entre muitos dos demais povos originários — a liderança espiritual, as anciãs e os anciãos são consultados pela principal liderança da comunidade antes das decisões mais importantes.
Historicamente, essa estrutura se repete em diferentes culturas.
Visto daí, os Conselhos Consultivos, Administrativos, Fiscais assessoram estrategicamente, ainda que estejam no topo do organograma da estrutura organizacional.
Embora eu não tenha ainda ocupado uma cadeira em conselho, já ocupei cadeiras em comitês executivos, já atuei como Governance officer quando as nomenclaturas adotadas foram outras.
Eu já fazia perguntas que hoje reconheço como perguntas de conselheira, mas não tinha consciência disso.
“Como essa decisão afetará o negócio daqui a cinco anos?”
“Que riscos não estamos enxergando?”
“O preço sustenta a estratégia?”
“A estrutura suporta o crescimento?”
“Os dados e as informações apresentadas são insuficientes para deliberar pautas como essas”.
“Quem está olhando para a solvência financeira enquanto todos olham apenas para o faturamento?”
“Como cumprir os objetivos empresariais equitativos se não há premissa de diversidade e inclusão de verdade?”
O papel de um conselho não é agradar a fundadores ou executivos.
Seu compromisso é com a qualidade das decisões e com a sustentabilidade da organização.
Minha certificação expandiu aquilo que eu já fazia, me trouxe muito mais segurança e confiança sobre minha forma de pensar e agir.
Governança, riscos, compliance, finanças, tecnologia, inovação, futuro, inteligência artificial, diversidade, comunicação e decisões são mais do que temas de gestão.
Têm a ver com a essência humana e com as escolhas que fazemos todos os dias.
Conselho na prática – Formação Conselheira Consultiva – Trevisan
Meus agradecimentos ao Instituto Conselheiras C101, à Trevisan Escola de Negócios, às grandes mulheres que nos melhoraram nessa jornada: Glades Chuery, Margareth Goldenberg, Gabriela Bianco, Jandaraci Araújo, Cris Malfatti; aos colaboradores Pedro Meireles e Felipe Dantas; minhas colegas de turma, conselheiras Tânia Chaves, Irani Malaquias, Pedrina Braga, Maurem Alves. Em especial, agradeço ao diretor geral, Fernando Trevisan pela coragem e determinação de construir essa formação com ambiente seguro e acolhedor para que nós, mulheres brancas, negras, indígenas, 40+, 50+, de várias regiões do Brasil pudéssemos continuar nosso aprendizado. Certamente, a diversidade trouxe riquezas exponenciais.
Acredito que a principal função de um conselho não seja responder perguntas.
Seja ampliar a consciência da liderança por meio das perguntas certas.
Porque decisões sustentáveis começam muito antes da deliberação.
Começam na capacidade de enxergar aquilo que ainda não está evidente.
É assim que procuro atuar ao lado de fundadoras, CEOs e empresas em crescimento.
“Pessoas e empresas são como árvores”.
Crescem com tempo. Permanecem quando suas raízes são fortes.
TLERA TENUAHI, METLON AMBO PRIKA EREKÉMA (muita gratidão, força das árvores para todos)

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