DAVOS, COP30 E A ESCOLHA HUMANA POR TRÁS DOS GRANDES EVENTOS

aapsa artigo davos 2026

Quando falamos de eventos como o World Economic Fórum em Davos ou da COP30, a imagem que vem a nossa mente são líderes mundiais, diplomatas, grandes empresas e acordos globais. Tudo parece distante do nosso cotidiano e das organizações para as quais trabalhamos, não importando o tipo ou tamanho. 

Mas essa percepção esconde uma verdade fundamental e incomoda quando paramos para pensar: por trás de cada COP, cada fórum econômico e cada grande decisão global, existem seres humanos tomando decisões.

Decisões sobre prioridades.
Decisões sobre riscos.
Decisões sobre o que vale a pena proteger.
Decisões sobre quem ganha, quem perde e quem fica invisível.

Decisões baseadas no modelo mental vigente e usual. 

E é exatamente por isso que esses encontros importam tanto para profissionais de Recursos Humanos, liderança e gestão de pessoas.

Será que as pessoas que estão participando e tomando decisões estão preparadas para o mundo que necessitamos discutir ou estão presas a um passado que nos trouxe até aqui mas que não serve mais de parâmetro para o futuro que necessitamos construir.  

Antes de seguir, busquemos conhecer o que é Davos em poucas palavras

World Economic Fórum, que acontece todos os anos em Davos, na Suíça, reúne líderes de governos, empresas, universidades e organizações sociais para discutir os rumos da economia global. Ali se encontram quem define investimentos, políticas públicas, cadeias produtivas e prioridades estratégicas para os próximos anos.

É um espaço onde se decide, por exemplo:

  • para onde o capital vai
  • quais tecnologias serão aceleradas
  • quais setores serão priorizados
  • como o mundo do trabalho vai se transformar 

e onde através de uma ampla pesquisa com os participantes, são mapeados os riscos futuros em várias categorias 

Mesmo quem nunca ouviu falar em Davos sente seus efeitos: no emprego, nos preços, nas oportunidades e na forma como as empresas se organizam.

A COP30 e o outro lado da mesma moeda

COP30, recentemente realizada no Brasil, que já foi tratada por mim em outro artigo que escrevi aqui no Blog da AAPSA, trouxe para o centro do debate algo que não pode mais ser ignorado: os limites do planeta.

Clima, água, florestas, biodiversidade e comunidades vulneráveis são temas que, cada vez mais, moldam políticas públicas e estratégias empresariais. O que antes não era visto, agora nos toca literalmente a pele. 

Em outras palavras:

  • A COP fala dos limites físicos da Terra.
  • Davos fala dos limites do sistema econômico.

E ambos estão conectados e são totalmente interdependentes. 

A verdadeira tensão não é técnica, é humana

Costumamos pensar que os grandes desafios globais são técnicos:
mais tecnologia, mais investimentos, mais dados.

Mas a incômoda verdade é outra.

Os maiores impasses do nosso tempo são humanos:

  • cooperar ou competir?
  • incluir ou excluir?
  • pensar no curto ou no longo prazo?
  • priorizar pessoas ou apenas números?
  • ser líder ou apenas mais um seguidor

Essas escolhas aparecem em Davos, aparecem na COP.
E aparecem, todos os dias, dentro das empresas e dentro de nós mesmos .

Cada vez que uma organização decide como vai tratar sua força de trabalho, como vai reagir à automação, como vai lidar com diversidade, bem-estar, sustentabilidade e ética, ela está fazendo a mesma escolha que os líderes fazem nos grandes fóruns globais só que em escala local.

E não esqueçamos que pode detrás de cada decisão está uma pessoa. 

Por que isso importa para quem trabalha com pessoas

O mundo do trabalho está sendo redesenhado por forças que vêm de fora:

  • mudanças climáticas
  • transição energética
  • inteligência artificial
  • tensões geopolíticas
  • novas expectativas das pessoas

E tudo isso chega às áreas de RH em forma de:

  • ansiedade
  • escassez de talentos
  • necessidade de requalificação
  • conflitos culturais
  • busca por propósito
  • saúde mental

Não existe mais gestão de pessoas neutra.

Quem cuida de gente hoje está, de fato, ajudando a decidir:

que tipo de sociedade estamos construindo. 

O chamado silencioso que Davos e a COP fazem

Mesmo sem dizerem isso diretamente, Davos 2026 e a COP30 estão fazendo a mesma pergunta ao mundo:

vamos continuar operando no modo “cada um por si” ou “business as usual”  
ou vamos aprender a agir como um sistema interdependente? Teremos coragem para romper com o modelo atual de egocentrismo que nos levará a falência dos sistemas do planeta? 

Essa pergunta não é apenas para presidentes ou CEOs.
Ela chega às lideranças médias, aos profissionais de RH, aos educadores, aos gestores, aos colaboradores.

Ela chega a cada um de nós.

A decisão começa no indivíduo, em cada um de nós 

Você não precisa estar em Davos para fazer diferença.
Nem participar de uma COP.

Mas você pode:

  • buscar informação
  • entender riscos
  • questionar decisões
  • influenciar sua organização
  • apoiar escolhas mais humanas e sustentáveis
  • ajudar pessoas a se adaptarem às mudanças

No fim, o mundo não muda quando grandes eventos terminam.
Ele muda quando pessoas decidem agir de forma diferente.

Davos e a COP apenas nos mostram o cenário.
A decisão real acontece todos os dias, no trabalho, nas relações e nas escolhas individuais.E essa decisão é sua.


Autor – Leonardo Lima
Founder – CEO Dreams & Purpose Consulting Químico Industrial com MBA em Desenvolvimento Sustentável pela FGV, possui +40 anos de experiencia profissional , tendo trabalhado em empresas de grande porte como: AMBEV, Nabisco, Kraft Foods, General Mills e Arcos Dorados/McDonald´s. Atualmente é o Fundador e CEO da Dreams & Purpose Consulting e atua em diferentes organizações como Conselheiro: Enactus Brasil , Instituto Capitalismo Consciente Brasil , All for Food Programa Brasil sem Desperdicio . Palestrante, consultor , articulista, tem como proposito de vida  elevar a consciência da sociedade através da educação, para que todos tenham acesso a uma vida decente e em harmonia com o planeta. 

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